A dama a quem devoto
"Olha só, teu campeão ferido,
trôpego de lutas e em farrapos.
Esperando só te ver sorrindo,
armadura, arruinada, em trapos...
trôpego de lutas e em farrapos.
Esperando só te ver sorrindo,
armadura, arruinada, em trapos...
Sou assim, um cavaleiro errante,
a defesa da honra da dama,
mas, se encontra o bravo tão distante,
que apenas ele ainda a ama.
a defesa da honra da dama,
mas, se encontra o bravo tão distante,
que apenas ele ainda a ama.
Mesmo assim, o apaixonado enfrenta,
justa inglória e duelos tantos...
No ostracismo, as vezes desalenta,
mas não rende-se, é como os santos.
justa inglória e duelos tantos...
No ostracismo, as vezes desalenta,
mas não rende-se, é como os santos.
A donzela, nele nem mais pensa,
mas a ela, zela a jura que fez.
A lágrima que cai e mais densa,
que todo sangue que ver-te em sua tez.
mas a ela, zela a jura que fez.
A lágrima que cai e mais densa,
que todo sangue que ver-te em sua tez.
Sou o teu cavaleiro em pedaços,
a manter-me a ti fiel e nobre,
magro e marcado pelos aços,
Se me veres, vês somente um pobre...
a manter-me a ti fiel e nobre,
magro e marcado pelos aços,
Se me veres, vês somente um pobre...
Mas deixa assim pensar, a ignorar.
Cala em si, em segredo quem era,
segue sendo tal desconhecido...
Mas feliz, pois seu riso fizera.
Cala em si, em segredo quem era,
segue sendo tal desconhecido...
Mas feliz, pois seu riso fizera.
Sou assim, teu campeão ferido,
a tombar por teu reino grandioso,
por amor, findo e não sou rendido
se morrer... Jardim farei viçoso.
a tombar por teu reino grandioso,
por amor, findo e não sou rendido
se morrer... Jardim farei viçoso.
Pois, meu corpo será ainda teu...
Para ti, fará a terra fecunda,
ao verde e à relva trarei apogeu,
grama fina, que a teus pés se afunda."
Para ti, fará a terra fecunda,
ao verde e à relva trarei apogeu,
grama fina, que a teus pés se afunda."
Arnault L. Dias
Amor
Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu’alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!
Quero em teus lábio beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d’esperança,
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!
Vem, anjo, minha donzela,
Minha’alma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu’alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!
Quero em teus lábio beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d’esperança,
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!
Vem, anjo, minha donzela,
Minha’alma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!
Álvares de Azevedo
O Amor, Quando Se Revela
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…
Fernando Pessoa
Sem Alardes
Não precisa fazer barulho...
Chegue de mansinho
Sejam seus passos a música
Seja sua respiração a sinfonia
Não precisa chamar minha atenção...
Chegue nas pontas dos pés
Seja seu perfume o ar que faz-me viajar
Seja sua voz o alento do meu coração
Não precisa chegar fazendo alardes...
Pode chegar com naturalidade
Seja suas mãos o abrigo das minhas
Seja seu olhar o repouso do meu
Não, não é necessário chamar minha atenção...
Aproxime-se com naturalidade
Seja, simplesmente, quem é
Sem barulho, sem alardes...
Só você!
Poema enviado por: Cecília Marques
Aprendiz
Caminhando a favor do vento
Ando redescobrindo sabores do viver
Querendo somente conjugar o
velho e bom verbo Amar...
Tenho sentido vontade até mesmo de voar...
Ando querendo tecer palavras entre céu, estrelas e luar...
Vou fiando os versos de aprendiz um a um,
tentando com eles poesia formar.
Vou brincando com as letras que tentam rimar,
pra depois lá no fim poderem se ajuntar...
Pego papel e caneta que são sempre fiéis,
e me fazem companhia em noites frias
Caneta e papel nunca hão de se cansar...
Queria ser como os poetas; ter rimas e métricas
Carregar mil versos pra encantar
Pobrezinha de mim sou apenas aprendiz
Vivo, caminho e sonho
Querendo com isso corações alcançar
Sou aprendiz, mas tenho pretensão...
Quero lugar de direito pra chegar no teu peito
Com amor e emoção...
Não quero com isso alcançar perfeição...
Escrevo e assino, aprendiz de poeta então.
Caminho vivendo e querendo, e assim vou escrevendo...
Mostrando pro mundo, tecendo de tudo que
não cabe em mim...
Vou jorrando delírios e coisas do amor, que
transbordam de dentro do coração também aprendiz.